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Arquivo do mês: julho 2013

Madrugada

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Movia-se pela calçada vazia, mas poderia muito bem andar pelo meio da rua, pois já não havia carros. O relógio oscilava entre a temperatura e o horário. 16°, 01:23. Caminhava lentamente enquanto pensava, no que mesmo pensava? Já não sabia nem mais porque estava ali. Apenas não havia mais lugar nenhum onde gostaria de estar. Não agora, as 01:27 de uma terça-feira fria de inverno. Os dias eram longos o bastante para que as noites fossem bem dormidas, pesadas pelo cansaço da rotina diurna, mas as noites insistiam em permanecer duras e acesas, alheias a ausência de um sol brilhando no céu, de qualquer calor que envolva a frieza que já habita por dentro. 01:36, talvez tenha algum filme na tv, talvez seja melhor voltar e buscar abrigo debaixo de um teto estranho, sem aconchego, que apenas esconde quem não sabe mais para onde ir. Os passos fazem o contorno em si mesmo e retornam, sem pressa alguma, para o mesmo lugar de onde vieram. Não há mais nada, nem mesmo o medo, para seguir ao lado.

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Perdão

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Cortinas brancas, balançando com o vento que entra frio e cortante pela janela. É inverno e o dia está começando a clarear, assim como os pensamentos embaçados. O que havia sido tão grave para tudo acontecer tão bruscamente?
Mudou de estado, mudou de expressão e deixou a alegria para trás, mas não mudou de sentimento. A dor acrescentou-se ao cansaço da viagem, feita as pressas, por impulso, pois não aguentava olhar as paredes e lembrar. Mas ir embora, até então, não trouxe nenhum fragmento de esquecimento. Tudo ainda é vívido e ele ainda não entende bem como aconteceu. Não entende como foi capaz.

Queria pedir perdão. Mas nem mesmo ele aprendeu a perdoar.