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Arquivo do mês: setembro 2011

Todas as palavras

Publicado em

Não há som que me perturbe,

nem clarão que me distraia.

Não a toque que me detenha,

nem sabor pra me deixar tentada.

Nenhum perfume me atrai.

E essas minhas palavras,

que solto uma por uma,

não querem ser muita coisa

e nem fazem

nenhum

dos cinco sentidos.

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Terça-feira Treze

Publicado em

Passou a noite em claro.

Disse que voaria.

Tentou mudar de lado.

Escreveu um segredo

em um papel sem pauta.

Mentiu ao telefone.

Leu metade de um livro

que tinha há sete anos,

e nunca tinha lido.

Ouviu uma canção

sobre uma visita.

Gostou dessa canção

de alguém desconhecido.

Cortou algumas frutas,

comeu com algum creme,

que não era de leite.

Foi embora no trem

as cinco e vinte e cinco

que estava programado

pra cinco e dezessete.

Entrou, sentou, dormiu,

esqueceu de ser gente.