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Branco

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E bem no meio do começo as coisas eram brancas. Não como a luz que enche os olhos pela manhã, nem como nuvens num céu de maio, é branco como leite sendo derramado. Branco vivo que parece olhar e afirmar que ele vai pra onde quer, pois se move livremente. E só agora, vendo essa cor descendo no meio do meio do começo é que se pode indagar que cor era antes? Alguém viu algo antes? Meus olhos acabam crendo que estavam calados para não ver nada, pois se viram não recordam. Esquecer é cruel demais. Eu não vi. Não vi cor nem coisa alguma.

Desperta agora alguém no canto e me chama por um nome que não é o meu, mas olha nos meus olhos e eu atendo então. E não diz mais palavra alguma, só me olha, com o rosto sério e ainda assim vai me dizendo alguma coisa qualquer que rasteja no salão vazio até chegar em mim. E me atinge, me grita e me acolhe depois. Me acolhe como entre braços esguios e sórbios, mas ainda o vejo longe, seus braços mantidos perto de si.

E eu estou tentando, com o branco, o vazio e o silêncio ondulatório. Estou tentando? Mas tentando o que? Não faço nada além de absorver e não sei se dou conta. Já faz muito tempo que o tempo me dá respostas para perguntas que não quero mais saber. E estou vendo as respostas pousando pelas paredes distantes. Distantes.

Essa cor me cansa. Com qual tinta eu posso pintar o vácuo?

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