Assinatura RSS

Arquivo do mês: abril 2011

Cor de silêncio

Publicado em

Sinto saudades ócres
dentro do azul profundo
no escuro da noite.

Vênus, logo o Sol vem
e ofusca teu brilho.
Mas ainda sei que brilha.

Palavras cinzas
murmuradas devagar
não acordam ninguém.

Enquanto o verde omisso
das folhas no escuro
balança ao vento.

A voz que soa
não tem cor,
mais brilha.

Anúncios

Durante uma canção

Publicado em

Casou-se com o sonho daqueles olhos azuis de contornos esverdeados. E entregou-se a paz que vinha daquele rosto tranquilo e cheio de algo que se vê no rosto de crianças que brincam na chuva. Não era bem inocência, era só um jeito de quem conhecia o sabor da fruta tirada da árvore e de quem ainda tinha porquês a serem respondidos. Ele era isso: olhos, traquiladade, sabores e porquês.
Ela fazia silêncio e ouvia a canção que ele escreveu no verso de uma receita de antiinflamatório. E ela cantava o refrão em voz baixa, sorrindo, enquanto ele tocava as notas ágeis daquela canção. A música lhe acalmava assim como os olhos azuis dele. Quando a música terminou ele olhou para ela, que sorria para ele.

Ela lembrou que havia deixado a água esquentando no fogão e então se despertou do sonho que sonhava acordada.
Não havia sentido, ela não gostava de olhos azuis e nem ao menos o nome dele ela conseguiu descobrir na névoa de seus pensamentos avulsos.