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Arquivo do mês: janeiro 2011

Eco

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Diga meu nome outra vez,
pois me esqueci como ele parece
saido de seus lábios.
Na sua soa tão bonito,
tão leve esse nome
que é todo denso.
Na minha voz até mesmo
o seu nome
fica denso.

Me lembrei que foi você
que me ensinou a dizer
numa lingua diferente
a palavra esquecer.
Esquecer é uma palavra bonita
para um propósito triste.
Mas isso fui eu que lhe disse:
a tristeza é tão bonita
quanto olhos azuis
cheios de lágrimas.

São no total treze letras,
duas palavras,
mas quem se importa
se minha voz
as torna densas
e a sua as dá tanta leveza?

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Fragmento de conto (sobre mistérios e amores)

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Eu me lembro de quando ele chegou à cidade, seu jeito discretamente inquieto era um tanto peculiar. Não que fosse de meu interesse travar qualquer tipo de conhecimento com aquele homem, mas ele me despertava curiosidade. Um certo dia percebi que ele observava enquanto eu caminhava com minha irmã mais jovem pelas ruas da cidade, mas o perdi de vista no momento em que parei para atender um amigo que me chamava pelo nome.

Ele não era o que se pode entender por um homem sociavel, apenas era visto conversando com um seleto grupo de individuos e frequentava a residência de duas ou três pessoas. Em uma manhã de sábado eu lia um livro na praça da cidade quando ele se aproximou e perguntou-me se poderia me fazer companhia, assenti com a cabeça e ele sentou-se ao meu lado. Ele comentou sobre o clima com um tom de voz que me pareceu um tanto confuso, por minha vez eu disse que a temperatura amena me agradava, mas temia que no verão o calor fosse demasiado intenso. Ele parou por um segundo como que tomando nota, depois levantou-se e disse que precisava se retirar. Eu já não teria entendido o que acabava de acontecer, mas a explicação que veio em poucos minutos por boca de um de seus amigos me faria ainda mais confusa. Eu continuava a ler quando sentou-se ao meu lado um vizinho e amigo dele. Comprimentei-o e ele antes de tudo me advertiu que não confiasse plenamente em seu amigo, pois ele tinha uma bela alma, no entanto não sabia medir muito bem os seus próprios atos. Perguntei-lhe o que de ruim ele poderia me fazer e ele respondeu em meio tom que seu amigo me amava, mas que esse amor poderia ferir-me. Mesmo sem compreender com exatidão o que acabará de acontecer, agradeci pela preocupação e me despedi, caminhando então para mim residência.

Não muito tempo depois ele foi embora da cidade, me deixando ainda com a dúvida do significado do que ocorerá naquele sábado. No entanto, desde aquele dia minha mente se interrogava sobre o suposto amor que ele sentia por mim, e por vários instantes eu sabia ser capaz de amá-lo também. Eu sabia muito pouco sobre ele, mas eu sentia que depois de sua partida não haveria muito tempo para que eu permanecesse alí.

 

 

“Se um dia por acaso

lembrar-se de aqui voltar

Encontrará minhas dúvidas

e um aroma de sândalo

esquecidos na gaveta”