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O que há de poesia em você?

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Hoje amanheci tentando fazer uma poesia um pouco mais humana, como que tivesse olhos, corpo e vontade, como se a poesia em si se escrevesse. Mas não consegui nada. Nem um verso assim.
Eu digo que poesia não se decide escrever, é ela quem decide existir. E essa poesia-gente parece que gritou no meu ouvido: Gerlaine, me deixa existir! Falou como se fosse uma voz nítida no meu ouvido, o problema é que eu não consegui atender. Tentei, tanto quando pude, mas não surgiu. E acabei me dando conta de que é muito difícil ver poesia nas pessoas. Poesia vai muito além de tudo que é físico. Até me custa explicar o meu olhar sobre o que é poesia. É algo mais ou menos como uma neblina fina que envolve as coisas e lhes dá um ar diferente. Mas o que há por baixo da neblina? Há poesia também? As coisas tem se tornado cada vez menos poéticas. Poesia as vezes é apenas nostalgia, foge totalmente à realidade que temos.
E então eu me pergunto o que há de poesia em mim? Sinceramente, me desespera acreditar que não poesia nenhuma em mim. Quem me conhece sabe que eu gosto de coisas pequenas e que são coisas aparentemente sem importância que me fazem verdadeiramente feliz. E eu gosto de ver essas coisas pequenas nas pessoas que me rodeiam. Para mim, aí é que está a poesia de cada um, está nos detalhes e sutilezas que fazem da pessoa alguém especial. As vezes estranho essa minha vontade inabalável de acreditar na beleza. É que as pessoas não param mais pra ver a beleza nas coisas rotineiras, e há tanta beleza. Tanta beleza! Nesse exato momento eu ouço um pássaro cantando, não o vejo, parece estar um pouco longe, mas eu sei que aquele canto é poesia, uma poesia que desperta os sentidos mais suaves e é capaz de levar o corpo a um estado de paz imenso. Poesia é estado de graça transcrito em versos simples. A poesia é o gesto das palavras, sempre tão repleto de delicadeza e significado. Mas perceber isso nas coisas é tão difícil as vezes… Eu conheço olhos repletos de sonhos que se escondem sob máscaras de indiferença, eu conheço sorrisos que são reflexos do medo, eu conheço sonhos, anseios, preocupações, alegrias e vivacidades, todas dentro de pessoas, todas envoltas pela carne, por essa máscara de “gente normal” que somos obrigados a vestir. E quando é que podemos nos despir de qualquer máscara e sermos exatamente quem somos? Em que tempo seremos apenas a poesia que existe dentro de nós? Eu temo que a poesia se perca por trás das máscaras. Temo que eu mesma deixe a poesia se perder em mim. Eu não sei que parte de mim é poesia, infelizmente me custa muito enxergar. Mas as vezes eu penso que o que há de poesia em mim seja justamente isso, esse desejo de ser de dentro pra fora e não de fora pra dentro. Esse desejo de não precisar vestir nenhuma máscara.

Compartilha com alguém a poesia que existe dentro de você. Diga a alguém a poesia que você consegue ver dentro dela. Tenta ser poesia por um breve momento. Não deixa a poesia se perder de você. Acenda a poesia que há ao seu entorno. Poetiza a sua vida nas páginas que ainda restam. E responda a pergunta: O que há de poesia ao seu redor? O que há de poesia em você?

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Sobre Gerlaine

umaspalavras.wordpress.com

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  1. Esse já é covardia, Gerlaine…

    “Eu digo que poesia não se decide escrever, é ela quem decide existir.”

    Não sei como você sente isso, mas poesia é algo que me angustia muito. Quando comecei a escrever, tinha lá minhas pretenções, queria fazer dela objeto da minha vontade, me aproveitar do conceito de poeta em que estava me enquadrando.
    Eu quis escrever, entende?! Eu quis ser poeta e me esforcei! Nunca consegui nada com poesia e só agora (depois de perceber que não tirei nada da poesia além de sensibilidade) é que posso dizer que sou poeta. Só agora, que larguei tudo o que queria e pretendia com poesia, que percebi que não depende mais de mim, só agora me aceito poeta de verdade! Não tenho como concordar mais com sua frase do que dizendo isso, foi a primeira porrada que esse texto me deu, vieram outras…

    Responder
  2. “Mas o que há por baixo da neblina? Há poesia também?”

    Eu digo que há! Há poesia também! O que falta nas coisas às vezes para que se tornem poesia é um olhar apaixonado que as poetize. Eu, por exemplo, vi pássaro durante a minha vida inteira e nunca havia dado bola até que um dia, viajando ali pela ponte Rio-Niterói, um amigo comentou que achava bacana a aerodinâmica dos pássaros marinhos…
    Foi na hora! Você olha um bicho daqueles planando por vários e vários minutos sem bater as asas e manda a aerodinâmica ou o nome que deram ao fenômeno às favas. Fica só a poesia que aquele pássaro fez operar no seu olhar que apaixonou. E uma coisa tão simples e tão poética um pássaro voando…

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  3. “As vezes estranho essa minha vontade inabalável de acreditar na beleza.”

    Eu também! Isso (pelo menos em mim) deriva de uma inconformidade com a mecanização do olhar, eu acho. A poesia agindo não deixa os olhos se acostumarem!

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  4. pra terminar:

    “Eu não sei que parte de mim é poesia, infelizmente me custa muito enxergar.”

    Sabe aquela coisa da angústia que eu falei ainda agora? Então… há algo de que eu gosto muito nisso e é exatamente não saber isso aí. Teria pavor de poesia, talvez, se conseguisse delimitar certas respostas e principalmente essa daí. Às vezes, para o poeta (o artista, em geral), a ignorância de certas precisões é uma benção indispensável!

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