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Arquivo do mês: outubro 2010

O que há de poesia em você?

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Hoje amanheci tentando fazer uma poesia um pouco mais humana, como que tivesse olhos, corpo e vontade, como se a poesia em si se escrevesse. Mas não consegui nada. Nem um verso assim.
Eu digo que poesia não se decide escrever, é ela quem decide existir. E essa poesia-gente parece que gritou no meu ouvido: Gerlaine, me deixa existir! Falou como se fosse uma voz nítida no meu ouvido, o problema é que eu não consegui atender. Tentei, tanto quando pude, mas não surgiu. E acabei me dando conta de que é muito difícil ver poesia nas pessoas. Poesia vai muito além de tudo que é físico. Até me custa explicar o meu olhar sobre o que é poesia. É algo mais ou menos como uma neblina fina que envolve as coisas e lhes dá um ar diferente. Mas o que há por baixo da neblina? Há poesia também? As coisas tem se tornado cada vez menos poéticas. Poesia as vezes é apenas nostalgia, foge totalmente à realidade que temos.
E então eu me pergunto o que há de poesia em mim? Sinceramente, me desespera acreditar que não poesia nenhuma em mim. Quem me conhece sabe que eu gosto de coisas pequenas e que são coisas aparentemente sem importância que me fazem verdadeiramente feliz. E eu gosto de ver essas coisas pequenas nas pessoas que me rodeiam. Para mim, aí é que está a poesia de cada um, está nos detalhes e sutilezas que fazem da pessoa alguém especial. As vezes estranho essa minha vontade inabalável de acreditar na beleza. É que as pessoas não param mais pra ver a beleza nas coisas rotineiras, e há tanta beleza. Tanta beleza! Nesse exato momento eu ouço um pássaro cantando, não o vejo, parece estar um pouco longe, mas eu sei que aquele canto é poesia, uma poesia que desperta os sentidos mais suaves e é capaz de levar o corpo a um estado de paz imenso. Poesia é estado de graça transcrito em versos simples. A poesia é o gesto das palavras, sempre tão repleto de delicadeza e significado. Mas perceber isso nas coisas é tão difícil as vezes… Eu conheço olhos repletos de sonhos que se escondem sob máscaras de indiferença, eu conheço sorrisos que são reflexos do medo, eu conheço sonhos, anseios, preocupações, alegrias e vivacidades, todas dentro de pessoas, todas envoltas pela carne, por essa máscara de “gente normal” que somos obrigados a vestir. E quando é que podemos nos despir de qualquer máscara e sermos exatamente quem somos? Em que tempo seremos apenas a poesia que existe dentro de nós? Eu temo que a poesia se perca por trás das máscaras. Temo que eu mesma deixe a poesia se perder em mim. Eu não sei que parte de mim é poesia, infelizmente me custa muito enxergar. Mas as vezes eu penso que o que há de poesia em mim seja justamente isso, esse desejo de ser de dentro pra fora e não de fora pra dentro. Esse desejo de não precisar vestir nenhuma máscara.

Compartilha com alguém a poesia que existe dentro de você. Diga a alguém a poesia que você consegue ver dentro dela. Tenta ser poesia por um breve momento. Não deixa a poesia se perder de você. Acenda a poesia que há ao seu entorno. Poetiza a sua vida nas páginas que ainda restam. E responda a pergunta: O que há de poesia ao seu redor? O que há de poesia em você?

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Íris

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Os olhos fechados,
escondendo as lágrimas,
escondendo a dor,
escondem também o verde.

Verde que não compreende
e nem se faz compreender.
Verde dito de esperança,
mas que não há encontra.

É verde perdido na face,
que agora se esconde
por trás dos olhos
cerrados.

Verdes, dois em tua face.
Verde, que te quero como?
Quero nas nuances de tua íris
que me custa recordar.

Tuas palavras

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Minhas palavras não são como as tuas, não possuem a beleza e a sutileza dos teus sonhos. No entanto meus olhos sabem te contar a vida como você nunca viu.
Abra teus olhos e versifica meu corpo que eu lhe guiarei ao princípio dos meus sonhos e lhe mostrarei algum novo segredo sobre a verdade que eu invento a cada dia.