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Arquivo do mês: abril 2010

Escritos

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Eu lhe escrevo todos os dias em meus pensamentos, quase nunca passo ao papel, menos frequente ainda é que lhe entrego. É que minhas palavras as vezes são tão rudes, tenho medo de lhe ferir, e outras vezes são tão belas que penso que lhe cansarão, por talvez ser piegas demais. Mas sempre lhe escrevo.
Escrevo a você em cada parte do meu corpo, como uma invisível tatuagem que vai aos poucos se interligando em mim. Tornei-me um bloco de notas sobre qualquer coisa que tenha você como tema, central ou secundário. Basta que eu possa ler seu nome em meio às palavras.
Você nunca me lê, raramente nota que seu nome já se estampou em meu corpo e que a cada gesto meu pode se notar algo que vivemos ou que deixamos de viver. Acho que não escrevo por você, escrevo para mim mesma, para me manter viva. Você não compreende quão profundo é esse abismo do qual eu vivo a beira, somente esperando um novo sinal.
Eu não sei onde você está, sei apenas que lhe escrevo por uma questão de sobrevivência, já que a vida anda muito difícil. Saiba meu bem, viver é calmo quando se está a beira de um abismo, mas é tão difícil. Tem de ser equilibrista.
E é à beira desse abismo que eu me torno uma coleção de você, onde há cada detalhe que pude filtrar. Daqui avisto o sol se pondo no horizonte, tudo é tão plano que o sol parece estar logo ali a diante, sinto como se fosse apenas ir até o outro lado desse abismo. Mas não tento ir ao outro lado, sei que devo lhe esperar aqui e sei também que se eu atravessar jamais voltarei.
Há algumas palavras que são tão frequentes quanto o seu nome em mim, leio esperança, ilusão e eterno… Elas são tão abstratas, assim como a imagem de seu rosto que eu posso ver quando fecho os meus olhos.
Lembre-se sempre meu Amor, que a espera é silenciosa e atemorizante aqui do abismo em que lhe escrevo e espero.