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Arquivo do mês: fevereiro 2010

Janela aberta

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Um ônibus, uma tarde, um casal calado, com olhares soltos e indagantes. A mulher era de pele absolutamente clara e cabelos negros abaixo dos ombros, repicado em leves camadas que faziam com eles aparentassem grande leveza. Seus olhos eram grandes e distantes de alguma forma, seus lábios pequenos e rosados permaneciam curvados num meio-sorrir constante. Usava uma blusa creme de babados e uma saia de linho num leve tom de marrom, um grosso colar marrom caia sobre sua blusa. O homem era alto e magro, de pele pouco mais morena do que a da mulher. Seus cabelos eram curtos e sua expressão facial parecia muito tranquila, despreocupada, alheia. Vestia uma camisa cinza e calça jeans escura.
Desceram do ônibus logo atrás de um homem negro e alto – mas não tanto quanto o outro. No momento em que o homem negro tropeçou ao sair do ônibus a mulher teve um pressentimento de que aquele homem sofreria um fatal acidente de carro, estando este dirigindo um carro esportivo prata que iria colidir com outro carro vermelho um pouco maior.  Algo faz com que ela se sentisse na obrigação de evitar que aquilo acontecesse, não entendia como podia saber aquilo, mas sabia que deveria impedir que acontecesse. O local onde eles desembarcaram do ônibus era uma espécie de praça, com um coreto central pouco elevado do nível do chão. Ao lado contrario ao do ponto do ônibus havia quatro arcos formando pequenos portais que davam para a outra rua, sendo que um deles dava acesso a uma rampa de descida a algum local.
A mulher relata ao homem que está com ela o pressentimento que teve, e o comunica do desejo de evitar o acidente, contando com sua ajuda. Eles dessem a rampa e chegam a uma espécie de beco, mal iluminado e úmido. O homem negro estava lá, ele entrou por uma porta de ferro enferrujada. O casal saiu Dalí e foi até a casa de uma conhecida de onde saíram junto com ela em um alto carro preto seguindo o homem negro. O negro pega o carro prata que a mulher já havia visto em seu pressentimento e eles seguem atrás dele, tentando arrumar um modo de evitar que o carro vermelho se aproxime dele de alguma forma.  Já era quase noite e certas ruas estavam escuras, o carro prata ia em alta velocidade, e eles também seguiam assim para não perdê-lo de vista. Então a mulher avista o carro vermelho e fala ao homem – que estava ao volante – que o cortasse de forma a fazê-lo diminuir a velocidade para que assim ele não chegasse a bater no compacto carro prata que o homem negro dirigia. A tentativa foi bem sucedida e eles conseguiram fazer com que o carro prata reduzisse a velocidade. A mulher se sentiu aliviada em ter evitado aquilo e com isso eles retornam a casa de onde havia saído deixando o carro estacionado no mesmo local onde foi pego.
No dia seguinte, logo pela manhã, o casal sai de casa seguindo por uma calçada de pequenas lojas variadas, parando em uma de bijuterias. O homem ficou sentado à porta da loja enquanto a mulher analisava uma gargantilha prateada com adornos pretos. Ela punha a gargantilha em seu pescoço e arrumava as ondas de seu cabelo encantada com a gargantilha. Ela olha em direção ao outro lado da rua, onde se localiza um tipo de pista de barro similar as pistas de rally, onde parecia estar sendo realizada uma espécie de corrida com carros comuns. Ela olha tudo aquilo de forma indiferente, estando mais preocupada com a escolha de sua gargantilha, quando ela vê se aproximando, porem ainda a uma certa distancia, o carro prata do homem negro. Ela pergunta ao homem que nesse momento lia um jornal se aquele era o carro do homem que ela teria tido o pressentimento. Ele afirma que sim, ou que ao menos era um outro do mesmo modelo, e continua lendo seu jornal, no entanto a mulher se distancia de sua analise minuciosa da bijuteria enquanto olhava o carro prateado se aproximar daquela pista de barro a uma velocidade elevada. Ela olha na direção oposta ao do carro quando então repara em um carro vermelho vindo na direção do carro prata em alta velocidade vindo diretamente contra o carro prata, quando então, os dois carros se colidem fortemente, fazendo voar estilhaços para todos os lados e atraindo a atenção de todos os que estavam em volta.
Ela abre os olhos, assustada. Era mais um sonho. Ele dormia ao seu lado, o relógio marcava 4:35 da manhã.

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Este conto está no rascunho faz uns dois anos, fico feliz em ter terminado.

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