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Arquivo do mês: julho 2009

Nuvens (Inverno)

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A lua começa a surgir por entre nuvens escuras em um céu especialmente marinho. Não parecia haver vento, mas era possível sentir o ar frio envolvendo a tudo. O inverno era rigoroso, e isso era bom, são muito boas as noites frias. E a lua seguia subindo lentamente, enquanto as nuvens cruzavam seu caminho com rapidez, logo seguindo o rumo que o vento as impunha. Em qualquer noite comum as nuvens apenas estariam ali para atrapalhar. Mas não nesse dia. Essa não era uma noite comum. Tudo parecia se complementar de uma forma inigualável, nunca houve um céu tão belo assim. Ou será que foram os olhos que nunca conseguiram enxergar a beleza deste conjunto? Tudo parecia mais belo do que nunca, e até mesmo a saudade não doía nesse momento. Apenas por aquela noite estar existindo, apenas pelas lembranças que ela guardava. Aquelas nuvens não estavam alí por acaso, e essa era uma certeza. Elas nunca foram tão belas num céu noturno, e provavelmente, nunca mais serão vistas com tanto amor quanto nesta noite. Porque aquelas nuvens levam consigo algo alem do que pode ser visto, aquelas nuvens estavam cheias de sentimentos sutis, capazes de secar lágrimas e aquietar feridas.

Epílogo dos dias

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Tantos dias se passaram que eu deixei de contá-los. Penso que quando os conto eles são mais sofridos e minha dor se espande dentro do meu peito. Foram dias tristes em sua crua felicidade, dias inesqueciveis pela dor que causaram. Momentos de toturante paz e de imensa incompreensão, dias onde eu não soube mais no que acreditar. Em dois segundos eu passei a acreditar, acreditar na força desses dias que eu vivia, acreditar nessa alegria desconhecida que chega tão repleta de dor. E é para esses dias que escrevo, é para eles que sigo acreditando, e com eles que eu caminho.

Breve instante

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Um breve instante se passa e chega ao fim toda uma vida. Algumas palavras ditas muda tudo ao redor. Um olhar ao espelho e o reconhecimento imediato do não ser, o desejo desesperado de voltar a um ponto que não se sabe onde está. Mas há o ponto, há o ser. E há também a certeza de que tudo isso foi deixado para trás, no entanto, a mente vaga tão aprisionada em si que nunca enxergou.

Um breve instante se inicia, e da início a tudo outra vez. Mas o tudo é muito limitado, e cada instante é um reinício.