Bilhete de mesa de cozinha

Nesse momento é provavel que você
esteja saindo do trabalho
andando até a banca
e comprando a última edição
de uma revista qualquer.
Deve chupar uma bala,
ou comer um biscoito.
E eu estaria te esperando
sobre a sua cama desfeita
pintando as minhas unhas
enquanto ouço a música
que vem da sala.
Mas é que eu tenho que ir embora,
e você sabe que é preciso.
E sabe também que volto
até o dia que eu não mais voltar.

Publicado em: às 16 fevereiro, 2011 em 16:31  Comentários (2)  
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Íris

Os olhos fechados,
escondendo as lágrimas,
escondendo a dor,
escondem também o verde.

Verde que não compreende
e nem se faz compreender.
Verde dito de esperança,
mas que não há encontra.

É verde perdido na face,
que agora se esconde
por trás dos olhos
cerrados.

Verdes, dois em tua face.
Verde, que te quero como?
Quero nas nuances de tua íris
que me custa recordar.

Publicado em: às 27 outubro, 2010 em 13:40  Comentários (1)  
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Olhos capazes

Os olhos que vem,
os olhos que sentem,
os olhos que se fecham,
os olhos que apenas choram.
Todos os olhos podem amar.
E todos eles amam algo,
então olhe também,
seja lá o que for.

Publicado em: às 20 junho, 2010 em 19:56  Comentários (1)  
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Inargumentável

O tempo fala e nunca esconde
que passa depressa
e você nunca vem.
E eu penso nas razões,
não da tua ausência,
mas da minha espera.

Peço calma ao tempo,
peço calma para mim,
pra que logo tenha fim,
esse tempo de infinitos.

O tempo diz, ele nunca mente,
que eu sonho ainda,
o mesmo sonho,
que anos atrás,
um sonho que não se realiza
e eu insisto em sonhar.

Peço calma ao tempo,
peço mais tempo pra mim,
pra que eu possa estar pronta,
para o que está por vir.

O tempo grita, e me destrói,
ele me nega uma pausa,
e não realiza meus sonhos,
me desencoraja,
me desanime
e aos poucos me enlouquece.

Peço calma ao tempo,
peço que tenha piedade
de todo o meu desespero,
para que eu possa tentar.

Publicado em: às 28 março, 2010 em 11:31  Comentários (3)  
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Verde calma

Um par de olhos verdes
e o mundo ganha novas cores.
Um sorriso pequeno
e a alma se esquece das dores,
um instante e poucas palavras
é tudo o que basta.
É a receita do início
de todo o meu sentir.

Desvio o olhar,
nunca de ti,
só do reflexo dos meus.
Sorrio ao seu sorrir,
mas não lhe deixo perceber.
Busco-te a cada instante,
pois só sei ter calma
quando enxergo em minha frente
o verde desses teus olhos
e a luz desse teu sorriso.

Encontre meus olhos
antes que eles se desviem.
Veja o meu sorriso
antes que ele se disfarce.
Perceba o que há nisso tudo
mesmo que não lhe agrade.
Entende a calma ansiosa de minh’alma
antes que ela se desmorone outra vez.

Publicado em: às 10 outubro, 2009 em 20:29  Comentários (2)  
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