Passou a noite em claro.
Disse que voaria.
Tentou mudar de lado.
Escreveu um segredo
em um papel sem pauta.
Mentiu ao telefone.
Leu metade de um livro
que tinha há sete anos,
e nunca tinha lido.
Ouviu uma canção
sobre uma visita.
Gostou dessa canção
de alguém desconhecido.
Cortou algumas frutas,
comeu com algum creme,
que não era de leite.
Foi embora no trem
as cinco e vinte e cinco
que estava programado
pra cinco e dezessete.
Entrou, sentou, dormiu,
esqueceu de ser gente.