Estampa

Ela sente o vento passar e tem vontade de usar um vestido de flores amarelas.
E olha que ela nem ao menos gosta dessa cor…

Só que venta um vento, leve, que é quase brisa. E vez ou outra uma folha cai das árvores e vai repousar seca e amarelada na calçada. Esse verão estranho com folhas amarelas. Amarelas iguais as flores do vestido que não é dela…

Publicado em: às 23 janeiro, 2012 em 14:43  Deixe um comentário  

Novo

Deixarei as histórias pra depois. Agora é hora de olhar pela janela e ver o Sol se pôr. Mas alguns dias, acabou. No outro segundo, começou. E quem disse que importa? Esquece da chuva que caiu, hoje o Sol entra pela janela. Amanhã se ele entrar pela janela talvez eu não sinta tanto frio. E a vida que esquecer da gente, parou um instante de repente, só pra admirar a multidão que contempla o Sol, que jura voltar.

Onde mora a saudade sempre chove, uma chuva tão fina que não se vê. Mas também é sempre que o tempo vira, a esperança assume esse céu, e o Sol colore o dia.

Agora o Sol some atrás dos prédios, as estrelas salpicam o negro céu, que não é nem tão negro assim. E um vento fresco vai passando, então já é hora de voltar. Se venta os meus cabelos voam, em ondas confusas e desconexas, para alguns lugar que desconheço. Cinco horas para um novo dia, mais 24 para um novo ano, mas quantas outras para nova vida?

Publicado em: às 29 dezembro, 2011 em 17:45  Deixe um comentário  

Vermelho

Rosas. Vermelhas. Rosas vermelhas fitadas por um olhar marrom distante, que via no vermelho a vida correndo. Vermelho de sangue, pulsante e quente. Quando a vida se acaba o vermelho vai deixando o corpo, lentamente e lamenta o frio. Vermelho nas flores, cabelos e unhas. Puro, alaranjado, escuro. Vinho caindo na taça. Sempre tinto, geralmente suave. Acende-se a luz, para-se. Vermelho que detêm, vermelho que pune. Em caso de emergência, aperte o botão. Na música, um homem pede que ela não ligue a luz. É cor, sabor, ideia, sugestão. É vermelho.

Publicado em: às 25 dezembro, 2011 em 09:57  Deixe um comentário  

Passa vento

Nas horas estranhas na noite,
nos dias que vem e que não,
na falta da brisa e da calma
e também na falta do chão.

Por onde é que você tem andado?
Não sei onde vou te encontrar.
Mas resta no amor a ressalva
de sempre aqui lhe carregar.

Publicado em: às 22 dezembro, 2011 em 09:20  Deixe um comentário  

Todas as palavras

Não há som que me perturbe,

nem clarão que me distraia.

Não a toque que me detenha,

nem sabor pra me deixar tentada.

Nenhum perfume me atrai.

E essas minhas palavras,

que solto uma por uma,

não querem ser muita coisa

e nem fazem

nenhum

dos cinco sentidos.

Publicado em: às 19 setembro, 2011 em 15:41  Deixe um comentário  

Terça-feira Treze

Passou a noite em claro.

Disse que voaria.

Tentou mudar de lado.

Escreveu um segredo

em um papel sem pauta.

Mentiu ao telefone.

Leu metade de um livro

que tinha há sete anos,

e nunca tinha lido.

Ouviu uma canção

sobre uma visita.

Gostou dessa canção

de alguém desconhecido.

Cortou algumas frutas,

comeu com algum creme,

que não era de leite.

Foi embora no trem

as cinco e vinte e cinco

que estava programado

pra cinco e dezessete.

Entrou, sentou, dormiu,

esqueceu de ser gente.

Publicado em: às 14 setembro, 2011 em 10:55  Comentários (2)  
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